quinta, 08 agosto 2019 10:02

"Olafur Eliasson: o vosso/nosso futuro é agora"

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Olafur Eliasson, Yellow forest, 2017. Bétulas, luzes de frequência única; Vista da instalação: Hamburger Bahnhof Museum, Berlin, 2017. Olafur Eliasson, Yellow forest, 2017. Bétulas, luzes de frequência única; Vista da instalação: Hamburger Bahnhof Museum, Berlin, 2017. Fotografia: David von Becker. neugerriemschneider,⁠ Berlin; Tanya Bonakdar Gallery, New York/Los Angeles © 2017 Olafur Eliasson

O Museu de Arte Contemporânea de Serralves apresenta Olafur Eliasson: o vosso/nosso futuro é agora, 'Olafur Eliasson: y/our future is now', a primeira apresentação a solo do artista dinamarquês-islandês em Portugal.

Olafur Eliasson é conhecido por criar obras de arte que atravessam as fronteiras dos espaços de exposição convencionais - como o museu e a galeria - para assumirem uma presença ativa no espaço cívico.

Nesta exposição em Serralves, Eliasson convida os visitantes a viajarem através de uma série de instalações e de esculturas recentemente criadas, de grande escala que ao invocarem ciclos, arcos e curvas incorporam movimento.

Colocadas ao longo do hall do Museu, na galeria central do edifício projetado por Siza Vieira e no Parque de Serralves, as obras de arte vão buscar a sua inspiração a fenómenos da natureza:

A 'Yellow Forest' (Floresta amarela), 2017, um grupo circular de bétulas iluminadas por um anel de lâmpadas de monofrequência amarelas, desafia as perceções do natural e do artificial;

Um grande pavilhão, 'The curious vortex' (Curioso vórtice), 2019, com um turbilhão na forma de um vórtice;

E três novas esculturas, 'Human time is movement (winter, spring, summer)', O Tempo Humano é Movimento (Inverno, Primavera e Verão), 2019, formadas por uma série de espirais de aço inoxidável, preto e branco, concebidas especialmente para esta exposição em Serralves.

“Vórtices, ciclos, espirais e correntes compõem O VOSSO/NOSSO FUTURO É AGORA – estão presentes nos troncos flutuantes, nas esculturas e no pavilhão instalado no exterior; nos anéis flutuantes e no bosque circular de árvores com folhas estranhamente amarelas no interior. Espero que na sua viagem através desta exposição sinta estes movimentos a um nível visceral e sinta como as trajetórias individuais de cada elemento se cruzam e se afetam umas às outras.”- Olafur Eliasson.

Uma publicação acompanhará a exposição, documentando os trabalhos de Olafur Eliasson em Serralves e incluindo uma contribuição original do premiado escritor português Gonçalo M. Tavares. O catálogo integra a sua visão sobre as ideias por trás dos trabalhos do artista.

No interior

No hall do museu, os visitantes são convidados a percorrer um caminho definido pela 'Yellow forest' (2017), uma obra originalmente concebida em colaboração com o arquiteto paisagista Günther Vogt. Uma floresta artificial, formada por dois grupos de bétulas que ocupam e redefinem o espaço arquitetónico do museu.

A relação da humanidade com o ambiente também é abordada em 'The listening dimension (orbit 1, orbit 2, orbit 3)', A dimensão da audição (órbita 1, órbita 2, órbita 3), 2017, apresentada na galeria central do museu. Ao entrar nesse espaço, o visitante encontra espelhos do tamanho de paredes e grandes anéis que parecem flutuar no espaço. Aparentemente desafiando as leis da física e da ótica, essas obras produzem um efeito desestabilizador e perturbador.

No exterior

Na rotunda das Liquidâmbares, o 'The Curious Vortex', 2019, está ligado à pesquisa de Eliasson sobre a geometria, a construção de espaços e criação de ambientes, bem como às suas reflexões sociais e culturais. A forma deste grande pavilhão em aço inoxidável é inspirada pelos movimentos de um vórtice, um fenómeno natural criado por uma massa de vento em movimento giratório e água.

Na Clareira dos teixos encontramos as obras 'Human time is movement (winter, Spring, summer)', 2019. A matemática é a base para o projeto que reúne três espirais, de aço inoxidável em preto e branco, que formam linhas que se desenvolvem no espaço como se fossem desenhos tridimensionais. Variações sobre uma curva de Clelia, uma linha criada traçando um ponto à medida que ele se move ao longo de dois eixos de uma esfera simultaneamente, as formas notavelmente diferentes comunicam a passagem do tempo, corporizada pelo movimento.

Regressando a uma tipologia de obras já apresentadas noutros contextos, Eliasson distribuiu o 'Arctic tree horizon', Horizonte da árvore do Ártico, em 2019, no parque ao redor do edifício do museu, como se os troncos de madeira flutuante tivessem sido arrastados para lá.

Com o objetivo de fomentar o diálogo entre o interior e o exterior, a seleção de obras reflete a já de si forte relação que a Fundação de Serralves desenvolveu entre o ambiente construído - um edifício concebido pelo vencedor do Prémio Pritzker, Álvaro Siza Vieira - e um Parque envolvente que constitui um contributo significativo para a educação e consciencialização da sociedade para a importância da proteção do património paisagístico e a necessidade de conciliar espaços que são eles próprios um património com manifestações e processos culturais determinados pela sociedade contemporânea, sem prejudicar a sua integridade e permanência.

O reconhecimento da singularidade do Parque de Serralves levou a que tivesse conquistado o Henry Ford Prize para a preservação do ambiente em 1997 e, mais recentemente, em 2012 (juntamente com o Museu concebido por Álvaro Siza e a Casa art deco) sido classificado pelo governo português como Monumento Nacional.

Em 2015, a editora Phaidon incluiu os jardins de Serralves no livro 'The Gardener's Garden', uma seleção dos 250 jardins mais notáveis do mundo indicado por um painel internacional de especialistas e que agora acolhem a genialidade de Olafur Eliasson.

Olafur Eliasson: O vosso/nosso futuro é uma exposição organizada pela Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea de Serralves em parceria com o Studio Olafur Eliasson, Berlim, neugerriemschneider, Berlim, e a Galeria Tanya Bonakdar, Nova Iorque / Los Angeles, e é comissariada por Philippe Vergne, Marta Moreira de Almeida e Filipa Loureiro. Resulta de uma colaboração entre o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, o BPI e a Fundação “La Caixa”.

Ler 87 vezes Modificado em quinta, 22 agosto 2019 09:10