sexta, 14 junho 2019 23:02

Obesidade - A doença do século XXI

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A obesidade é um problema mundial que a cada ano que passa atinge cada vez números mais alarmantes. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a obesidade é definida como um acúmulo anormal ou excessivo de gordura corporal que pode atingir graus capazes de afetar a saúde. É uma doença crónica, de origem multifatorial e está associada a doenças crónico-degenerativas.

Segundo dados da OMS, todos os anos morrem no mundo 2.8 milhões de pessoas em resultado de excesso de peso. Em 2008, mais de 1400 milhões de adultos com idade superior a 20 anos tinham peso excessivo. Nesse mesmo ano, 300 milhões de mulheres e 200 milhões de homens eram obesos. Em 2011, mais de 40 milhões de crianças com idade inferior a 5 anos estavam acima do peso recomendado. Em 2016, mais de 1.9 biliões de adultos tinham excesso de peso, dos quais 650 milhões eram obesos, o que representa 39% e 13% da população respetivamente. 

Um estudo levado a cabo pela SPCNA (Sociedade Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação, na população adulta entre os 18 e 93 anos, concluiu que 38.2% das mulheres e 54.5% dos homens têm pré-obesidade e obesidade.

Segundo a APN (Associação Portuguesa de Nutrição), em 4 anos, no período compreendido entre 2010 e 2014, o excesso de peso entre os portugueses adultos aumentou de 53.7% para 55.6%, mantendo-se superior nos homens.

Porque acumulamos gordura?

O acúmulo de gordura faz parte do processo de evolução do ser humano, os nossos ancestrais eram caçadores e durante os meses mais quentes a alimentação era abundante e, portanto, podiam-se alimentar com mais frequência, ao contrário dos meses de frio em que havia escassez de alimentos e não havia a possibilidade de uma nutrição adequada. Por conseguinte, quem tinha mais hipóteses de sobrevivência era quem tinha uma maior quantidade de energia previamente armazenada no organismo, sob a forma de gordura.

É possível um ser humano gordo conseguir resistir um mês, ou mais, sem comida, ou seja, o indivíduo que tinha uma maior predisposição genética para acúmulo de gordura era o que iria conseguir sobreviver mais tempo e, desta maneira, procriar e passar os seus genes à geração seguinte. Também vale mencionar o facto de que a gordura é um isolante térmico. Ao longo da evolução do ser humano a seleção natural foi favorecendo indivíduos acima do peso.

Se analisarmos os macronutrientes, em cada grama de Proteína e Hidratos de Carbono temos 4 kcal, enquanto que em cada grama de gordura temos 9 kcal, portanto, ao armazenar 1g de cada, em termos de quantidades energéticas, as gorduras têm vantagem.

Se colocarmos água e óleo no mesmo recipiente, eles não se misturam. No nosso corpo armazenamos gordura sem água, glicogénio (hidratos de carbono) é armazenado na proporção de 1g para 2/3g de água, ou seja, alguém que acumule 1g de gordura, acumula 1g de massa corporal que fornecem 9 kcal; alguém que armazene 1g de glicogénio, ganha 3/4g de massa corporal mas, no entanto, ganha apenas 4 kcal de energia. Ao fazermos uma comparação do armazenamento de 3g de cada, quem armazenar a gordura tem 6 vezes mais de quantidade de energia.

Riscos para a Saúde

A obesidade não é só um problema estético, é um problema de saúde, com consequências graves. Os problemas associados ao excesso de peso são a vários níveis:

  • Físicos: diabetes, dislipidemias, HTA, problemas respiratórios, cardiovasculares, osteoarticulares, digestivos;
  • Psicológicos: perda da autoestima, depressão, ansiedade, alterações do comportamento alimentar;
  • Sociais: isolamento social, discriminação laboral;
  • Económicos: em Portugal, segundo a Associação Portuguesa de Economia da Saúde, o custo direto da obesidade, em 1996, foi de 46.2 milhões de contos o que corresponde a 3.5% das despesas totais com a saúde. Em 1999 rondou os 90 milhões de contos.

Pessoas com excesso de peso vêem muito aumentado o risco de diabetes, doenças da vesicula, dislipidemia, apneia do sono, dispneia. Moderadamente aumentado o risco de Hiperuricemia/gota, Osteoartrite, doença Coronária e Hipertensão Arterial. Levemente aumentado o risco de cancro: nas mulheres, o risco de desenvolver cancro da mama é 3 vezes superior, assim como do útero e do ovário e o risco de cancro do endométrio (camada interna do útero) é 7 vezes superior. Nos homens há um risco aumentado de cancro do cólon e da próstata. 

 

Artigo elaborado por Orlando Carneiro

Ler 272 vezes Modificado em segunda, 14 outubro 2019 16:46